Cagliostro

 “Eu não sou de época alguma nem de lugar algum; fora do tempo e do espaço, o meu ser espiritual vive a sua eterna existência, e, se mergulho no meu pensamento remontando o curso das idades, se estendo o meu espírito para um modo de existência afastado daquele que percebeis, tornei-me aquele que desejo. Participando conscientemente do ser absoluto, regulo a minha ação conforme o meio que me rodeia.

Meu nome é o da minha função e o escolho, assim como à minha função, porque sou livre; meu país é aquele onde fixo momentaneamente  os meus passos. Datai-vos de ontem, se o quiserdes, realçando-vos com anos vividos por ancestrais  que vos foram estranhos; ou de amanhã pelo orgulho ilusório de uma grandeza que não será quiça nunca vossa; eu; sou aquele que é... Todos os homens são meus irmãos, todos os países me são caros...  Como o vento Sul, como a brilhante luz do Meio-dia que caracteriza o pleno conhecimento das cousas, e a comunhão ativa com Deus, venho para o Norte, para a bruma e o frio, abandonando por onde que quer que passe algumas parcelas de mim mesmo, gastando-me, diminuindo-me em cada demora, mas deixando-vos um pouco de claridade, um pouco de calor, um pouco de força, até que eu esteja finalmente detido e fixado definitivamente ao termo da minha jornada, à hora em que a rosa florescer sobre a cruz. Eu sou Cagliostro.”

“Por que precisais de mais alguma cousa? Se fosseis filhos de Deus, se a vossa alma não fosse tão vã e tão curiosa, já teríeis compreendido!”
Cagliostro (1786)

(Extraído da obra consagrada pelo Dr. Lalande (Marc Haven) ao “Mestre desconhecido Cagliostro”.)

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